Uma primeira consequência do rompimento do ligamento cruzado anterior (LCA) é a sensação de falseio. O falseio caracteriza-se pela anteriorização e rotação interna da tíbia. Esse movimento geralmente acontece em ângulos pequenos de flexão do joelho, de 0 a 30 graus, bastante comum em atividades esportivas.

( Sensação de falseio comum durante atividades físicas)

Uma segunda consequência do LCA é a artrose. Tipificada, como um desgaste da cartilagem do joelho. Uma vez rompido o LCA, ocorre a fricção dos ossos ao redor do joelho, a qual incapacibilita a estabilização e rotação externa da tíbia em relação ao fêmur. Essa teoria mecânica exemplificada no movimento repetitivo do joelho compromete a cartilagem, desgastando-a. Outra teoria existente é a biológica, a qual afirma que após o rompimento e sangramento do joelho haverá uma degeneração da cartilagem, e quão mais instável esse joelho estiver, pior será sua degeneração.

(Diminuição do espaço articular decorrente de artrose no joelho)

Uma terceira consequência bastante frequente na ruptura completa do LCA são danos secundários aos meniscos. O ligamento, por não conseguir desempenhar sua função primaria, leva a tíbia a deslocar-se anteriormente e rotacionar internamente. Dada tal situação, o corno posterior do menisco medial tende a não suportar esse estresse articular e acaba rompendo, levando a chamada alça de balde ou uma ruptura horizontal.

(Lesão em alça de balde)

Uma quarta consequência não tão comum ao romper o ligamento é a cicatrização no túnel inter-côndilo e possível bloqueio do joelho. Tal situação diminui a amplitude de movimento e possivelmente desencadeia uma inflação mais intensa, formando cicatrizes na região superior do joelho as quais impossibilitam a flexão dele.

Uma quinta consequência após um longo período com o ligamento rompido é a atrofia muscular, não sendo possível reverte-la mesmo a pessoa indo na academia. A função proprioceptiva do ligamento durante a extensão do joelho, responsável por ativar o quadríceps e os isquiotibiais através do reflexo de Lerichem é perdida. Isso leva a uma perda de dentro para fora do fuso muscular a qual inibi a musculatura.

Uma sexta consequência do rompimento do LCA devido a instabilidade anterior e a existência do falseio, é o trabalho exaustivo da musculatura de isquiotibiais e do bíceps femoral, os quais tentam estabilizar o joelho. Essa conformação da musculatura agonista leva a duas consequências: a tendência de formar tendinite posterior do joelho e a um desequilíbrio muscular, visto que a musculatura posterior estará mais fortalecida em relação à musculatura anterior. Isso pode gerar não só dor, como também lesões musculares em pacientes que continuam praticando atividade física.

Uma oitava consequência é a interferência no estilo de vida do paciente, visto que atividades antes tidas como habituais poderão gerar, após o rompimento do LCA, dores e insegurança.

Referências:

ZARGI, T., DROBNIC, M., STRAZAR, K., KACIN, A. Short–Term preconditioning with blood flow restricted exercise preserves quadriceps muscle endurance in patients after anterior cruciate ligament reconstruction. Frontiers in Physiology, Vol.9, 1150, 2018.

PINHEIRO, A., SOUSA, C. Lesão do Ligamento Cruzado Anterior. Rev. Port. Ortop. Traum.,  Lisboa ,  v. 23, n. 4, p. 320-329,  dez.  2015

Esse conteúdo é produto da Pós-Graduação em Ciências da Saúde Aplicada ao Esporte e à Atividade Física - Universidade Federal de São Paulo – Unifesp em parceria com a MedPhone-Tecnologia em Saúde.                             http://medicinadoesporte.sites.unifesp.br/

TEMA: "Comparação da força muscular entre quadríceps e isquiotibiais após exercícios com 30% da força máxima com e sem oclusão vascular periférica no pós-operatório de ligamento cruzado anterior: um ensaio controlado randomizado."

Pelo aluno: Rafael Francisco Vieira de Melo
http://lattes.cnpq.br/3656657876413287

Orientado pelo: Prof. Dr. Moisés Cohen
http://lattes.cnpq.br/5558512244477786

Co-orientado pelo: Prof. Dr. William Komatsu
http://lattes.cnpq.br/1898450330418640