Para encontrar e quantificar se há assimetrias que levem a lesões, a utilização do dinamômetro isocinético vem sendo utilizada amplamente. Mesmo não imitando perfeitamente o gesto esportivo, o equipamento é capaz de fornecer valores exatos da força muscular. Auxiliando assim no diagnóstico, prevenção e tratamento das lesões geradas pelos desequilíbrios de força muscular.

Uma das formas de se avaliar a força muscular é através da relação entre os torques máximos de quadríceps e isquiotibiais. Através desta razão é possível analisar a capacidade dos isquiotibiais em neutralizar a translação tibial anterior produzida pelo quadríceps, bem como proporcionar estabilização articular dinâmica durante a extensão ativa do joelho e na diferença entre os grupos musculares agonistas de um lado comparado ao seu lado contralateral. A relação ideal entre torque máximo de isquiotibiais e quadríceps é em média de 60%. Caso esta relação esteja abaixo de 60%, este desequilíbrio poderá comprometer a estabilidade dinâmica e ocasionar lesões. De maneira semelhante, diferenças bilaterais maiores do que 15% correlacionam-se fortemente com lesões de membros inferiores.

O dinamômetro é um equipamento eletromecânico que permite avaliar quantitativamente e de maneira segura, parâmetros físicos da função muscular. O equipamento é composto por uma cadeira, um dinamômetro e um microcomputador para o processamento dos dados. O participante é instruído a realizar força máxima para mover a alavanca que está encaixada no dinamômetro e que se move a uma velocidade constante previamente determinada. O torque produzido pela participante contra a alavanca do dinamômetro é registrado. A resistência oferecida por esta alavanca é acomodativa, ou seja, tem intensidade igual à força exercida pelo participante. Desta forma, a velocidade do sistema é mantida constante, não havendo aceleração e desaceleração dos movimentos de flexão e extensão do joelho e o risco de lesão é, portanto, mínimo.

Dinamômetro Isocinético

Os participantes do exame ficarão sentados e estabilizados com tiras torácicas diagonais e abdominais transversais, assim como faixa na região distal da coxa a ser testada. O comprimento do braço do dinamômetro será ajustado para cada participante. O centro de rotação do dinamômetro estará visualmente alinhado com o epicôndilo lateral do fêmur e a caneleira fixada com uma cinta em uma distância, para melhor padronização, de cinco centímetros até o maléolo lateral da fíbula. O encosto ficará posicionado de tal forma que os participantes fiquem confortavelmente sentados com as costas contra o encosto do banco, e a fossa poplítea pairando sobre a borda frontal do assento por aproximadamente três centímetros, deixando o joelho livre para se mover. Os braços estarão segurando os apoios localizados ao lado do aparelho para não ocorrer compensação com o tronco.

Será efetuada a posição de calibração do limite superior e do limite inferior solicitando ao participante uma extensão máxima de joelho e em seguida uma flexão máxima de joelho. Os joelhos ficarão em 90º de flexão pela medição do braço do dinamômetro, seu eixo ao lado epicôndilo lateral do fêmur, o braço fixo em direção ao trocanter maior do fêmur e o braço móvel em direção ao maléolo lateral da fíbula, como referência anatômica. Em seguida com uma angulação de 30º o peso do membro inferior a ser testado será medido pela máquina e subtraído do peso deslocado durante movimento na avaliação dos dados. Haverá a preocupação de atingir em todos os casos uma amplitude de movimento no mínimo de 80º para assegurar a produção máxima de força durante o movimento.

Dinamômetro Isocinético

Com o intuito de reduzir o efeito da desaceleração do membro na repetição seguinte, o movimento do braço de resistência no final da amplitude foi regulado para o menor nível, Hard,durante o procedimento. O protocolo terá modo isocinético, testado de forma unilateral e em seguida será avaliado a outra perna. O atleta realizará uma extensão e flexão de joelho para familiarização. Os joelhos serão avaliados para flexão e extensão concêntricas com velocidade angular de 60°/s, considerado uma velocidade angular lenta para determinação do maior torque com cinco repetições com a máxima força possível e após dois minutos de repouso, 300°/s de velocidade angular para comparar a potência muscular do quadríceps e isquiotibias com 15 repetições com a máxima força possível, determinando assim como estará o balanço muscular. No momento da avaliação será solicitado a cada participante força máxima, através de feedback visual (por meio de um monitor no computador do dinamômetro) e estímulo verbal associado a palmas.

Com os dados coletados é possível realizar o acompanhamento evolutivo dos pacientes. A análise desse índice de simetria é realizada, visando no final dos protocolos à melhora da relação de força entre quadríceps e isquiotibiais.

Referências:

FONSECA, S.T., OCARINO, J.M., SILVA, P.L.P., BRICIO, R.S., COSTA, C.A., WANNER, L.L. Caracterização da performance muscular em atletas profissionais de futebol. Rev Bras Med Esporte. Vol. 13, Nº 3, 2007.

HEWETT, T. E., MYER, G. D. E., ZAZULAK, B. T. Hamstrings to quadriceps peak torque ratios diverge between sexes with increasing isokinetic angular velocity. Journal of Science and Medicine in Sports, v.11, n.5, sep, p.452-9. 2008.

LEONARDI, A.B.A., MARTINELLI, M.O., DUARTE JUNIOR, A. Existe diferença nos testes de força da dinamometria isocinética entre jogadores profissionais de futebol de campo e de futebol de salão? Rev. bras. ortop., São Paulo, v. 47, n. 3, p. 368-374, 2012.

WEBER, F. S., SILVA, B.G.C., RADAELLI, R., PAIVA, C., PINTO, R.S. Avaliação isocinética em jogadores de futebol profissional e comparação do desempenho entre as diferentes posições ocupadas no campo. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v.16, n.4, p.264-268. 2010.

Esse conteúdo é produto da Pós-Graduação em Ciências da Saúde Aplicada ao Esporte e à Atividade Física - Universidade Federal de São Paulo – Unifesp em parceria com a MedPhone-Tecnologia em Saúde.                             http://medicinadoesporte.sites.unifesp.br/

TEMA: "Comparação da força muscular entre quadríceps e isquiotibiais após exercícios com 30% da força máxima com e sem oclusão vascular periférica no pós-operatório de ligamento cruzado anterior: um ensaio controlado randomizado."

Pelo aluno: Rafael Francisco Vieira de Melo
http://lattes.cnpq.br/3656657876413287

Orientado pelo: Prof. Dr. Moisés Cohen
http://lattes.cnpq.br/5558512244477786

Co-orientado pelo: Prof. Dr. William Komatsu
http://lattes.cnpq.br/1898450330418640