Sabemos da grande importância que o  fisioterapeuta tem no acompanhamento e assistência de várias condições de saúde, tanto no âmbito da prevenção quanto tratamento e reabilitação. Nesse contexto, o fisioterapeuta ganhou papel de destaque na linha de frente da assistência aos pacientes contaminados, ou com suspeita de infecção pelo SARSCoV-2.

Dentre as inúmeras competências da fisioterapia, destacamos o gerenciamento da ventilação espontânea, invasiva e não invasiva. Além disso, outros aspectos da atuação do fisioterapeuta são: a avaliação e a realização da titulação de oxigênio, promover a rápida saída do paciente do ventilador mecânico, prevenir complicações pulmonares por meio de manobras e técnicas específicas, aplicação de manobras motoras com o intuito de reduzir incidências de agravos relacionados à permanência Hospitalar e assistência motora e respiratória após desospitalização.

Atenção Básica e População

Precauções para a população :

• Etiqueta da tosse (cobrir tosse e espirro).

• Manter mãos limpas (água e sabão ou álcool gel a 70°).

• Hidrate-se e alimente-se bem.

• Mantenha-se ativo fisicamente.

• Faça pausas no trabalho.

• Faça isolamento social para não disseminar a COVID-19.

• Mantenha hábitos saudáveis de sono.

Equipamentos de Proteção Individual (EPI):

Quais e quem deve usar?

• Máscara Cirúrgica: apenas indivíduos com suspeita ou confirmação de COVID-19, bem como profissionais que estejam em contato com estes.

• Máscara N95 (PFF2) ou superior: em locais em que existe geração de aerossóis em indivíduos com suspeita ou com diagnóstico de COVID-19, como no auxílio à intubação (IOT), VNI, aspiração, etc.

• Gorro, avental, óculos de proteção, protetor facial e luvas de procedimento: apenas profissionais em contato direto com pacientes.

Hospital: COVID-19 -> IRpA, Pré-IOT

Oxigenoterapia:

• Usar cateter nasal até 6 L/min, para uma Sp02 >93% e FR<24ipm.

• Máscaras com reservatório são recomendadas.

• Não recomenda-se uso de máscaras de Venturi e micro ou macronebulização pelo risco de formação de aerossóis e disseminação viral.

Ventilação Não-Invasiva (VNI):

• Recomenda-se evitar a VNI!

• Em situações específicas, nas quais se tenha quarto de isolamento, máscara sem reinalação, quarto com pressão negativa, circuito duplo e filtro de barreira no ramo exalatório, pode ser realizado um teste rápido se Sp02<93% e/ou FR> 24 ipm já com oxigenoterapia.

Critérios para intubação orotraqueal (IOT):

• Sp02<93% e/ou FR>24 ipm com oxigênio ≥6 L/min.

Orientações para IOT:

• Realizar a pré-oxigenação com máscara com reservatório de oxigênio com o menor fluxo de ar possível para manter oxigenação efetiva.

• Evitar ventilação assistida com o dispositivo de Bolsa-Válvula-Máscara (AMBU) ou o uso de dispositivos supraglóticos, pelo potencial de aerossolização e contaminação dos profissionais.

Hospital: COVID-19 -> IRpA, Pós-IOT

Estratégia Ventilatória:

• Modo ventilatório controlado a volume (VCV) ou a pressão (PCV) a volume corrente ajustado em 6 ml/Kg, ou inferior se possível.

• Manter pressão de distensão alveolar (Driving Pressure) ≤15cmH20 e pressão platô ≤30cm H20.

• Elevação dos níveis de pressão positiva expiratória final (PEEP), de forma a reduzir os níveis de Driving Pressure e que garantam oxigenação compatível com a vida (PaO2 ≥60 mmHg, com FiO2 ≤60%).

• Tolerar hipercapnia permissiva (pH>7,2).

• Recrutamento alveolar em situações de hipoxemia refratária, não responsiva a outras intervenções (PaO2 60% mmhg e/ou FiO2>60%).

Uso de Filtros: (Evitar disseminação viral)

• Umidificador (HME):  entre o TOT e o circuto.

• Barreira (HEPA):  entre o circuito e o ventilador no ramo expiratório.

• HMEF (eficiência de filtração >99,9%):  pode ser utilizado ao invés do HME e HEPA

Posição Prona

• Quando fazer?  PaO2/Fi02 < 150 mmHg.

• Quem é respondedor? Acima de 10 mmHg na PaO2 ou acima de 20 mmHg na PaO2/FiO2 após 1 hora em posição prona.

• Quanto tempo de realização? mínimo de 16 horas.

• Quando repetir? PaO2/FiO2<150mmhg após 6 horas em posição prona.

Referências:

BRASIL. Declara Emergência em Saúde Pública de importância Nacional (ESPIN) em decorrência da Infecção Humana pelo novo Coronavírus (2019-nCoV). DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO. Publicado em: 04/02/2020 | Edição: 24-A | Seção: 1 - Extra | Página: 1.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de manejo clínico do Conoravírus (COVID-19) na atenção primária a saúde.

ASSOBRAFIR. Comunicação Oficial COVID-19. Intervenção na Insuficiência Respiratória Aguda. 2020.

Thomas P, Baldwin C, Bissett B, et al. Physiotherapy management for COVID-19 in the acute hospital setting: clinical practice recommendations. Journal of Physiotherapy. 2020.