Para saber se o paciente sofreu uma lesão no ligamento cruzado anterior e seus déficits de funcionalidade são necessários minuciosos exames clínicos. A lesão completa do ligamento cruzado anterior (LCA) pode ser diagnosticada pelo exame clínico, enquanto a lesão parcial muitas vezes não. Dessa forma, o diagnóstico definitivo da lesão do LCA se dá pelo somatório de achados clínicos, exames de imagem e, quando necessário, achados artroscópicos. Na lesão parcial do LCA é fundamental a avaliação da competência e da funcionalidade das fibras remanescentes na estabilização do joelho. Discute-se ainda se o evento em questão seria uma lesão parcial ou mesmo uma lesão completa em processo cicatricial e as atividades de vida diária do paciente.

Dessa forma, 95% do diagnóstico da lesão é clínico e 5% dos casos precisam de exame subsidiário. A suspeita de lesão no LCA deve levar a equipe multiprofissional a realizar um exame físico completo do joelho, testando todas as estruturas lesionadas dele e o comparando ao joelho saudável, possibilitando assim, o diagnostico da maioria das lesões ligamentares. O membro contralateral também deve ser examinado para descartar hiperfrouxidões ligamentares afim de não superestimar o grau dessa instabilidade. Durante o exame físico é também de suma importância avaliar o grau de agressão ao joelho. A presença de uma hemartrose pós-traumática aguda, a qual pode ser evidenciada por meio de uma punção, significa em 80% uma chance de ser uma lesão no LCA. Ocorre também o alívio da dor na área lesionada dada a diminuição da pressão.

Os testes ligamentares específicos para avaliar o LCA são muito valiosos e devem ser aplicados a partir do momento em que o joelho diminuir sua reação inflamatória para que seja avaliada a frouxidão ligamentar e suspeita de lesão no LCA. É de ressaltar, contudo, que por vezes, esses testes não fornecem resultados exatos.

Durante o teste de Gaveta anterior o paciente ficará em decúbito dorsal, seu quadril flexionado em 45 graus e o joelho em 90 graus. O examinador senta sobre o pé do paciente para estabilizar a perna e puxa a região proximal da tíbia para frente. Caso a tíbia avance anteriormente o resultado é positivo.

(Teste de Gaveta Anterior)

Para realizar o Teste de Lachmano paciente também ficará em decúbito dorsal, a diferença em relação ao de gaveta anterior é a menor angulação, por volta de 30 graus de flexão do joelho. Nesse caso o terapeuta estabiliza o fêmur com uma das mãos e com a outra aplica uma pressão posterior, puxando a tíbia para frente. Caso a tíbia avance anteriormente o resultado é positivo.

( Teste de Lachman)

Para realizar o teste Pivot Shfit o paciente ficará em decúbito dorsal e com o joelho em extensão completa, devendo o examinador com uma mão segurar a perna do paciente pelo tornozelo e realizar rotação interna e flexão do joelho até 30 graus, enquanto exerce com a outra mão um stress em valgo na superfície lateral da tíbia proximal. O teste positivo é caraterizado pela redução abrupta do prato tibial lateral, anteriormente subluxado.

(Teste Pivot Shift)

Através do artrômetro é possível avaliar quantitativamente a translação anterior da tíbia. Esse aparelho consiste em um sistema instrumentado de mensuração do deslocamento anteroposterior da tíbia em relação ao fêmur. Quando essa diferença for maior que três milímetros considera-se lesão no LCA. A precisão diagnóstica da avaliação pelo artrômetro eletrônico é diretamente proporcional à força de aplicação do teste, assim como à competência do avaliador em obter do paciente o maior relaxamento muscular possível durante a avaliação.

(Artrometria do joelho)

Os exames de imagem, por sua vez, são importantes para um diagnostico eficaz. A utilização dos Raios-X ainda que não possibilitem a observação das lesões ligamentares podem detectar fraturas associadas de forma indireta, como a fratura de Segond. Na radiografia em perfil com anteriorização da tíbia, pode-se perceber significativa translação dos compartimentos medial e lateral, enquanto que naqueles com lesões parciais perceber-se-ia pequena translação quando comparado ao lado normal.

O padrão ouro é a ressonância nuclear magnética. Ela ajuda muito no planejamento médico, observando outras áreas do joelho. Com esse exame é possível visualizar com precisão o ligamento cruzado anterior, atestando se o mesmo está heterogêneo, rompido ou com edema ósseo. Também pode existir lesão no menisco lateral e medial, a depender de como foi a lesão.

(Ressonância Nuclear Magnética de um LCA rompido)

A artroscopia permite diagnosticar o tipo de lesão parcial e, junto com os exames clínicos, de função e de imagem, determinar o melhor tipo de reconstrução nos casos em que estiver indicado o tratamento cirúrgico.

(Visão artroscópica de lesões parciais do ligamento cruzado anterior do joelho. A, lesão da banda AM e preservação da PL; B, lesão da banda PL e preservação da AM.)

REFERÊNCIAS:

HELITO, Camilo Partezani et al . Extra-articular reconstruction associated with the anterior cruciate ligament in Brazil. Acta ortop. bras.,  São Paulo,  v. 27, n. 4, p. 202-206,  Aug.  2019 .

PINHEIRO, Ana; SOUSA, Cristina Varino. Lesão do Ligamento Cruzado Anterior. Rev. Port. Ortop. Traum.,  Lisboa ,  v. 23, n. 4, p. 320-329,  dez.  2015 .

TEMPONI, Eduardo Frois et al . Partial tearing of the anterior cruciate ligament: diagnosis and treatment. Rev. bras. ortop.,  São Paulo ,  v. 50, n. 1, p. 9-15,  Feb.  2015.

Esse conteúdo é produto da Pós-Graduação em Ciências da Saúde Aplicada ao Esporte e à Atividade Física - Universidade Federal de São Paulo – Unifesp em parceria com a MedPhone-Tecnologia em Saúde.                             http://medicinadoesporte.sites.unifesp.br/

TEMA: "Comparação da força muscular entre quadríceps e isquiotibiais após exercícios com 30% da força máxima com e sem oclusão vascular periférica no pós-operatório de ligamento cruzado anterior: um ensaio controlado randomizado."

Pelo aluno: Rafael Francisco Vieira de Melo
http://lattes.cnpq.br/3656657876413287

Orientado pelo: Prof. Dr. Moisés Cohen
http://lattes.cnpq.br/5558512244477786

Co-orientado pelo: Prof. Dr. William Komatsu
http://lattes.cnpq.br/1898450330418640