1.       Avaliar e dar suporte básico dos sinais vitais:

a.       Via aérea (A): garantir via aérea pérvia (considerar IOT se piora abrupta)

b.       Ventilação/respiração (B):

i.      Dar suporte ventilatório, conforme necessidade

ii.      Garantir SpO2 ≥ 94% e padrão respiratório adequado

c.       Circulação (C):

i.      Se sinais de depleção de volume/hipovolemia à Hidratação EV

ii.      Usar cristaloides: bolus inicial 10-20 mL/kg (repetir até 2x) e depois 20-30 ml/kg/24h (se cardiopata: 5-10 mL/kg lento)

2.       Avaliação neurológica (D) e exposição (E):

a.       Avaliar reflexo pupilar, procurar sinais de trauma e sinais focais

i.      Se alterações: considerar TC de crânio e/ou cervical e avaliar outros exames de imagem, conforme o caso

ii.      Considerar avaliação do especialista

b.       Pesar risco-benefício da sedação

i.      Se agitação: Diazepam (10 mg/2 mL) 5-10 mg EV

ii.      Se agitação intensa e sem colaboração: Haloperidol (5 mg/mL) 2,5-5 mg IM

3.       Questionar antecedentes ao acompanhante: alergias, uso de outras drogas, bebidas ingeridas, uso de medicamentos e comorbidades

4.       Colher glicemia capilar (4/4 h) e corrigir hipoglicemia:

a.       Se ≤ 70 mg/dL: acrescentar à hidratação - glicose 50% (5 g/ 10 mL)

b.       Considerar SG 10% - correr 1L em 6-8 h (avaliar necessidade pelo HGT)

c.       ATENÇÃO: iniciar tiamina (100 mg/mL) 100-300 mg EV/IM ANTES DA GLICOSE

5.       Tratar sintomas:

a.       Náuseas e/ou vômitos:

i.      Ondasentrona (4 mg/2 mL ou 8 mg/4 mL) 8 mg IM/EV em > 30s

ii.      OU Metoclopramida (10 mg/2 mL) 10 mg EV lento de 8/8h

iii.      Se vômitos persistentes: posicionar em decúbito lateral direito

b.       Convulsões:

i.      Diazepam (10 mg/2 mL) 10 mg EV sem diluir, correr lento (≥ 5 min)

ii.      Considerar Fenobarbital

iii.      Avaliar status neurológico

6.       Colher exames e corrigir distúrbios:

a.       Inicialmente: sódio, potássio, cloro, bicarbonato, cálcio, magnésio, glicemia, ureia, amilase, função hepática e screen toxicológico

b.       Avaliar necessidade: gasometria arterial, cetonemia e cetonúria.

c.       Considerar: ECG, exames de imagem, se evolução clínica desfavorável

7.       Cuidados gerais:

a.       Reavaliar sinais vitais 4/4 h, no máximo

b.       Reavaliar melhora clínica

c.       Elevar cabeceira em 30°

d.       Considerar transferência na suspeita de lesão neurológica ou rebaixamento persistente

8.       Considerar alta: quando não estiverem mais clinicamente intoxicados e não oferecer perigo para si ou para os outros

9.       Prescrição de alta:

a.       Hidratação oral 2-3L/dia + alimentação

b.       Sintomáticos

10.   Se sinais de dependência/abuso de álcool: acompanhamento ambulatorial com psiquiatra

REFERÊNCIAS:

COWAN, Ethan; SU, Mark. Ethanol intoxication in adults. UpToDate 2018. Acesso em 19/02/2020.

DIEHL, Alessandra; CORDEIRO, Daniel; LARANJEIRA, Ronaldo. Dependência química: prevenção, tratamento e políticas públicas. Artmed Editora, 2018.

JUNG, Young-chul; NAMKOONG, Kee. Alcohol: Intoxication and poisoning–Diagnosis and treatment. In: Handbook of clinical neurology. Elsevier, 2014. p. 115-121.

VELASCO, Irineu Tadeu et al. Medicina de emergência: abordagem prática. 2019.