Os novos critérios de classificação do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) foram desenvolvidos com apoio tanto do American College of Rheumatology (ACR) quanto do European League Against Rheumatism (EULAR).

Foram realizados a partir de coortes feitas em independentes centros e a análise dos dados foi baseada na opinião de especialistas, visando manter ao mesmo tempo o equilíbrio e uma metodologia rigorosa. O objetivo de manter uma boa especificidade semelhante à dos critérios do ACR 1997 e aumentar a sensibilidade para o alto nível dos critérios do SLICC 2012 oi alcançado. Para alcançar alta sensibilidade foi mantida a aceitação da histologia renal como critério suficiente e mantidos os critérios de lúpus cutâneo subagudo e do consumo de complemento, implementados pelo SLICC 2012. A especificidade foi aumentada pela exclusão do critério de linfopenia e por não pontuar como critério aquele que for melhor explicado por alguma outra condição.

Foi utilizado um sistema multicritério aditivo e ponderado que produz uma medida da probabilidade relativa de um indivíduo ser classificado como portador de LES. Diferentes pesos foram atribuídos aos critérios representando melhor sua contribuição no diagnóstico de LES.  Para melhorar a confiabilidade e a precisão foram agrupados os critérios em 10 domínios (tabela). Foi definido FAN positivo a qualquer momento como critério de entrada obrigatório. Um novo critério clínico, febre inexplicável, revelou-se comum e notavelmente característico para o LES, porem as infecções devem ser suspeitas primeiro principalmente quando a PCR está elevada. A inclusão de febre auxilia na classificação do LES precoce. Alguns critérios, como delirium, psicose e pericardite aguda foram em parte redefinidos com base nas definições científicas existentes. A biópsia renal com nefrite lúpica classe III ou IV tem pesos maiores e, na presença do FAN positivo, é suficiente para classificar um paciente como LES. A biópsia renal com nefrite lúpica classe II ou V ainda carrega um grande peso (8 pontos), mas não é por si só suficiente para a classificação do LES.
Os novos critérios fornecem um método simples, direcionado e altamente preciso para classificar o LES, porem é importante ressaltar que os critérios de classificação não são projetados para diagnósticos ou decisões de tratamento. Eles nunca devem ser usados para excluir pacientes que não atendem totalmente a esses critérios de receber terapias apropriadas.

O diagnóstico do LES continua a ser da competência de um médico devidamente treinado, avaliando um paciente individualmente. O uso de um sistema de pontuação aditivo permitirá estudar as implicações potenciais de ter pontuações muito altas na gravidade e/ou prognóstico da doença.

Referências:

  1. Aringer M et al. 2019 European League Against Rheumatism/American College of Rheumatology Classification Criteria for Systemic Lupus Erythematosus. Arthritis Rheum. 2019
  2. Aringer M, Dörner T, Leuchten N, Johnson SR. Toward new cri- teria for systemic lupus erythematosus: a standpoint. Lupus 2016;25:805–11
  3. Petri M, Orbai AM, Alarcón GS, Gordon C, Merrill JT, Fortin PR, et al. Derivation and validation of the Systemic Lupus International Collab- orating Clinics classification criteria for systemic lupus erythemato- sus. Arthritis Rheum 2012;64:2677–86
  4. Hochberg MC, for the Diagnostic and Therapeutic Criteria Com- mittee of the American College of Rheumatology. Updating the American College of Rheumatology revised criteria for the classi- fication of systemic lupus erythematosus [letter]. Arthritis Rheum 1997;40:1725.