Exaustão emocional, distanciamento afetivo do ambiente e relações de trabalho, baixa realização profissional, são alguns dos aspectos característicos da Síndrome de Burnout, definida pelo Ministério da Saúde como um tipo de resposta prolongada a estressores emocionais e interpessoais crônicos no trabalho, este que ocupa lugar privilegiado no existir humano. Há, assim, significativa centralidade na realização profissional como meio de alcançar objetivos e sonhos pessoais. O trabalho é, portanto, mobilizador de afetos e emoções e compreende o indivíduo como um todo, dessa forma, podendo, também, afetá-lo negativamente quando não há uma relação de equilíbrio nessa esfera da condição humana.

Quando há sentimento de frustração, quebra de expectativas,  jornadas de trabalho intensas, atividades cansativas, cobranças elevadas, acúmulo de exigências, medo do fracasso, preocupação com salário ou demissão, cansaço físico, horas extras (Barros, 2013), que de forma prolongada e desconsiderando momentos de lazer, convívio social, qualidade de alimentação, atividade física, podem conduzir o profissional a um estado de exaustão emocional envolvendo sentimentos de solidão, depressão, raiva, irritabilidade, tensão, diminuição da empatia, baixa na imunidade (Tiago et al, 2007), além de sintomatologias como tensão muscular, taquicardia, hipertensão, ansiedade, angústia, insônia, dificuldades de relaxar, dificuldade de concentração e hipersensibilidade emotiva (Silva, 2019), que fazem parte da forma como se pensa e produz o trabalho na nossa sociedade. Todas essas afetações podem gerar no trabalhador uma associação negativa com o ambiente de trabalho, reduzindo o ânimo de frequentar esse espaço e de se manter no ciclo de relações sociais do local, principalmente na existência de conflitos interpessoais, competitividade, assédio moral, etc. Esse fenômeno de distanciamento também é conhecido como despersonalização, uma espécie de busca por se desvincular da condição promotora de sofrimento psíquico/físico. Em vista do desgaste emocional, rebaixamento da energia, a produtividade do sujeito cai, há atrasos na entrega de demandas, queda de recursos para lidar com possíveis frustrações e imprevistos, contribuindo com a sensação de fracasso e baixa realização profissional. As consequências podem ser a demissão ou o abandono do emprego. Entretanto, esse quadro pode ser revertido a partir da quebra de rotina, gerenciamento adequado do tempo, demandando tempo para lazer (não permitindo a invasão de tarefas laborais através de aplicativos de mensagem e e-mail), respeitar os horários de alimentação, alimentar-se de forma saudável, praticar exercícios físicos, prezar pelo convívio social com pessoas importantes, manter fotos e objeto afetivos positivos no ambiente de trabalho. Dessa maneira, é possível através de recursos simples e conhecidas modificar a rotina, promovendo a manutenção da saúde mental, promovendo qualidade de vida que podem transformar a experiência nas horas de trabalho.