A reabilitação tardia após traumas nas pernas e cirurgias, como a reconstrução do ligamento cruzado anterior, leva há déficits de força e resistência muscular contribuindo para alterar os padrões de movimento do membro envolvido e, assim, aumentar o risco de início precoce da osteoartrite do joelho. Isso acontece porque frequentemente um período com menos cargas em suas articulações deve ser estabelecido no tratamento, para adaptação musculo esquelética ao ambiente mecânico, resultando em perda de massa muscular.

No campo da cirurgia do joelho, a atrofia por desuso dos músculos da coxa tem sido considerada importante, porque a reabilitação geralmente leva a um período prolongado de tempo para atingir a força muscular original. Isso ocorre independente das técnicas cirúrgicas de reconstrução existentes e utilizadas, levando a tardar os principais objetivos no pós-operatório que são recuperar a estabilidade articular e promover retorno às atividades.

Atualmente o método padrão ouro para quantificar a força do quadríceps e isquiotibiais é o dinamômetro isocinético. No entanto, esta opção carece de aplicabilidade clínica devido ao custo e tamanho. Desta forma, desde a fase inicial da reabilitação após a reconstrução do ligamento cruzado anterior um dinamômetro de mão fornece uma alternativa de teste válida e confiável. Para encontrar e quantificar se há assimetrias que levem a lesões, a utilização do dinamômetro isométrico pode ser utilizada a partir da quarta semana do pós-operatório, onde não se pode realizar a amplitude de movimento máxima, como também existe a preocupação em relação à velocidade de deslocamento de flexão e extensão do joelho, devido a desequilíbrios musculares, fatores dependentes do enxerto e sinais flogísticos no local operado.

Dessa forma, sendo capaz de fornecer valores exatos da força muscular. Auxiliando assim no diagnóstico, prevenção e tratamento das lesões geradas pelos desequilíbrios. Uma das formas de se avaliar o desequilíbrio muscular é através da relação entre os torques máximos de quadríceps e isquiotibiais.Torque é o produto da força aplicada vezes a distância entre a força e o ponto de articulação Através desta razão é possível analisar a capacidade dos isquiotibiais em neutralizar a translação tibial anterior produzida pelo quadríceps, bem como proporcionar estabilização articular durante a extensão ativa do joelho e na diferença entre os grupos musculares agonistas de um lado comparado ao seu lado contralateral. A relação ideal entre torque máximo de isquiotibiais e quadríceps é em média de 60%. Caso esta relação esteja abaixo de 60%, este desequilíbrio poderá comprometer a estabilidade dinâmica e ocasionar lesões. De maneira semelhante, diferenças bilaterais maiores do que 15% correlacionam-se fortemente com lesões de membros inferiores.

Dinamômetro Isomêtrico

A força isométrica máxima dos extensores e flexores do joelho em ambas as pernas são medidas utilizando o dinamômetro digital de posicionamento, estabilização, local de aplicações de resistência e incentivo verbal para garantir o esforço máximo utilizando a palavra “força” durante a contração devem ser padronizados seguindo protocolos considerados validados e confiáveis comparados com dinamômetros isocinéticos. A força máxima será registrada em Newtons (N) e coletada três vezes em cada perna. Os participantes devem ser instruídos a permanecer sentados bem eretos em uma maca com os braços cruzados na frente do peito e as pernas penduradas na beirada, será colocada uma tira inelástica sobre a face anterior da coxa e presa na maca para melhor estabilização, com as articulações do joelho e quadril flexionadas em 90 graus.

Para mensurar o quadríceps através da extensão isométrica do joelho, uma almofada de espuma deve ser colocada na região anterior da tíbia, em um local idêntico com o local utilizado nos dinamômetros isocinéticos (cinco cm proximal ao maléolo lateral), com a cinta presa no coxim e o dinamômetro digital preso contra a perna da mesa, um pequeno envoltório elástico será posicionado entre a perna da mesa e o músculo tríceps sural para minimizar qualquer complacência da cinta, gerando estabilização e resistência contra o movimento durante o teste (KOBLBAUER et al., 2011; HANSEN et al., 2015; LESNAK et al., 2019).

A- Extensão isométrica do joelho / B- Flexão isométrica do joelho

Para avaliar a força dos isquiotibiais para flexão isométrica do joelho o dinamômetro ficará preso em uma mesa localizada à frente do participante e a almofada irá para a região do tríceps sural. Uma demonstração será realizada para familiarização do aparelho antes das medidas comecem a ser coletadas. Cada participante será instruído a realizar contração isométrica máxima por cinco segundos e a força máxima será registrada. Entre cada contração existirá intervalos de 60 segundos. Se o examinador observar qualquer movimento compensatório por parte dos participantes, como o uso do membro superior para fins de estabilização ou movimentação posterior do tronco durante a aferição dos dados, outra medida será realizada (KOBLBAUER et al., 2011; HANSEN et al., 2015; LESNAK et al., 2019)

Referências:

HANSEN, E.M., MCCARTNEY, C.N., SWEENEY, R.S., PALIMENIO, M.R., GRINDSTAFF, T.L. Hand-held dynamometer positioning impacts discomfort during quadriceps strength testing: A validity and reliability study. The International Journal of Sports Physical Therapy, Vol: 10, 1, 2015.

HEWETT, T. E., MYER, G. D. E., ZAZULAK, B. T. Hamstrings to quadriceps peak torque ratios diverge between sexes with increasing isokinetic angular velocity. Journal of Science and Medicine in Sports, v.11, n.5, sep, p.452-9. 2008.

KOBLBAUER, I.F.H., LAMBRECHET, Y., HULST, M.L.M., NEETER, C., ENGELBERT, R.H.H., POOLMANR, W., SCHOLTES, V.A. Reliability of maximal isometric knee strength testing with modified hand-held dynamometry in patients awaiting total knee arthroplasty: useful in research and individual patient settings? A reliability study. Musculoskeletal Disorders, 12:249, 2011.

LESNAK, J., ANDERSON, D., FARMER, B., KATSAVELIS, D., GRINDSTAFF, T.L. Validity of hand-held dynamometry in measuring quadriceps strength and rate of torque development. The International Journal of Sports Physical Therapy, Vol: 14, 2, 2019.

Esse conteúdo é produto da Pós-Graduação em Ciências da Saúde Aplicada ao Esporte e à Atividade Física - Universidade Federal de São Paulo – Unifesp em parceria com a MedPhone-Tecnologia em Saúde.                             http://medicinadoesporte.sites.unifesp.br/

TEMA: "Comparação da força muscular entre quadríceps e isquiotibiais após exercícios com 30% da força máxima com e sem oclusão vascular periférica no pós-operatório de ligamento cruzado anterior: um ensaio controlado randomizado."

Pelo aluno: Rafael Francisco Vieira de Melohttp://lattes.cnpq.br/3656657876413287

Orientado pelo: Prof. Dr. Moisés Cohenhttp://lattes.cnpq.br/5558512244477786

Co-orientado pelo: Prof. Dr. William Komatsuhttp://lattes.cnpq.br/1898450330418640